Economia e Negócios

    A usina mais produtiva do Brasil não é a maior. É de Araras — e começou fazendo cachaça em 1935

    Usina São João é eleita a de maior produtividade agrícola do país na safra 2025/2026, em premiação que cruza dados do Centro de Tecnologia Canavieira e supera concorrentes de outros quatro estados

    Redação Guia ArarasPublicado em 04/09/20265 min de leitura

    Última atualização: 04/09/2026

    Vista aérea de uma usina de açúcar e etanol cercada por canaviais no interior paulista
    Imagem ilustrativa

    ARARAS (SP) — Num setor em que todo mundo vende o mesmo produto, pelo mesmo preço de mercado, vencer não é uma questão de sorte. É uma questão de método. E o método mais eficiente do açúcar e etanol brasileiro, segundo a mais recente edição do prêmio Usinas Campeãs, está a poucos quilômetros do centro de Araras, no interior paulista.

    A Usina São João (USJ) foi reconhecida como a usina de maior produtividade agrícola do Brasil na safra 2025/2026, à frente de concorrentes de outros quatro estados produtores. A premiação, promovida pelo Grupo IDEA, tem como base técnica a pesquisa do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) — instituição de referência no setor sucroenergético e responsável por boa parte da genética de cana plantada no país.

    Não é um prêmio de percepção de marca. É um prêmio de planilha. Os critérios que colocaram a USJ no topo são indicadores objetivos e auditáveis: toneladas de cana por hectare, açúcar recuperável por tonelada (ATR) e idade média do canavial — as três métricas que, somadas, definem o quão eficiente é uma operação agrícola de base canavieira.

    Por que isso importa além do ranking

    Em commodities, o preço de venda é dado pelo mercado. Nenhuma usina — grande ou pequena — consegue cobrar mais por uma tonelada de açúcar ou um litro de etanol só porque produz melhor. O que separa quem lucra de quem sobrevive, nesse tipo de negócio, é o que acontece antes da porteira: custo de produção, eficiência operacional e capacidade de adaptação. A liderança da USJ é um estudo de caso de como essa vantagem é construída.

    1. Foco obsessivo na lavoura. Enquanto parte do setor concentra energia na disputa comercial, a USJ priorizou o trato cultural do canavial — o conjunto de práticas agronômicas que determina o quanto cada hectare efetivamente produz. O resultado apareceu direto no indicador que o mercado mais respeita: toneladas por hectare. Em uma operação de margem apertada, cada tonelada adicional colhida no mesmo espaço é lucro que o concorrente simplesmente não tem.

    2. Tecnologia onde ninguém vê. A usina foi pioneira ao operar com 100% da frota agrícola em piloto automático e ao implantar otimização de processo industrial em tempo real — o equivalente, no canavial, à indústria 4.0. Não é automação para vitrine corporativa: é ganho de precisão no plantio, na colheita e no processamento que se converte, linha por linha, em margem.

    3. Flexibilidade de mix como hedge natural. Da mesma cana, a USJ produz açúcar, etanol e energia elétrica — e ajusta a proporção entre os três conforme o preço de cada um se move no mercado. Quando o etanol perde competitividade, a produção migra para açúcar. Quando o açúcar recua, a rota se corrige. É um mecanismo de proteção embutido na própria operação, sem depender de instrumentos financeiros externos. A geração própria de energia fecha o ciclo, reduzindo ainda mais a exposição a custos externos.

    A leitura para quem pensa em capital e estratégia

    O caso da USJ ilustra um princípio que vale muito além do setor sucroenergético: em mercados de commodity, quem não controla o preço de venda só tem uma alavanca de resultado — controlar o custo e a flexibilidade da operação. A usina de Araras não tentou vencer o mercado. Organizou-se para ganhar em qualquer cenário de preço.

    Por trás do resultado está a família Ometto, na sexta geração à frente do negócio, com mais de 80 anos de história que começou, em 1935, na produção de cachaça. A trajetória reforça uma lição pouco confortável para quem busca atalhos: em setores sem diferenciação de produto, a vantagem competitiva não está no que se vende, mas em como se produz — e na disciplina de manter esse padrão por décadas, geração após geração.

    “Não se ganha commodity no preço. Ganha-se na disciplina de custo e na flexibilidade que a maioria não teve paciência de construir.”

    Perguntas frequentes

    Qual é a usina mais produtiva do Brasil na safra 2025/2026?

    A Usina São João (USJ), localizada em Araras (SP), foi reconhecida como a usina de maior produtividade agrícola do Brasil na safra 2025/2026 no prêmio Usinas Campeãs, promovido pelo Grupo IDEA com base técnica em pesquisa do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).

    Quais critérios definiram a premiação da USJ?

    Os critérios são indicadores objetivos e auditáveis: toneladas de cana por hectare, açúcar recuperável por tonelada (ATR) e idade média do canavial.

    Desde quando a Usina São João existe em Araras?

    O negócio tem mais de 80 anos de história e começou em 1935 com a produção de cachaça. Hoje está sob a sexta geração da família Ometto.

    O que a USJ produz?

    Da mesma cana, a usina produz açúcar, etanol e energia elétrica, ajustando o mix conforme o preço de cada produto no mercado.

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    Fontes

    Matéria produzida com base em dados da premiação Usinas Campeãs (Grupo IDEA) e pesquisa do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), referência técnica do setor sucroenergético.

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